Autor: Ivaldo Lucio
Os senhores acima citados, como se sabe, são figuras que ao longo das suas carreiras profissionais conseguiram se notabilizar, e que agora a população de Mato Grosso alimenta a expectativa de poder vê-los pelas ruas disputando, palmo a palmo, o voto de cada eleitor.
Seria interessante saber com qual argumento o senhor Julier Sebastião, bem como o Procurador da República, José Pedro Taques, iria se livrar dos eleitores que certamente são contumazes em solicitar aquela ajuda estatutária aos referidos candidatos. Ninguém tem dúvida que no exercício das suas funções, ambos os senhores, sempre foram contra a prática do escambo entre candidatos e eleitores, até porque a própria legislação eleitoral condena esse conluio imoral.
Já imaginaram o Juiz Julier chegando a uma cidade do interior na qualidade de candidato seja lá ao que for, e de repente ser cercado por uma multidão de eleitores e cabos eleitorais - cada qual ao seu modo e jeito - pedindo dinheiro para comprar tijolos, telhas, cimento sob o argumento de que precisa fazer um puxadinho nos fundo da casa; outros querendo grana para comprar gasolina, e muitos outros querendo grana pra comprar remédio, ou cadernos e chinelo bambolê para a patroa? Já imaginaram a saia justa em que ficaria o austero juiz Julier ou o procurador Pedro Taques? O que ambos diriam para os eleitores? Até que seria pitoresco assistir cenas como essas aqui imaginadas.
E que não venham argumentar que com as citadas autoridades na qualidade de candidatos a cargos eletivos isso não ria acontecer. Iria sim, e aí os citados senhores poderiam descobrir na prática as dificuldades a que são submetidos todos os candidatos a qualquer cargo eletivo que se atrevam disputar.
Temos ouvido por todos os lugares em que andamos, que tanto o juiz quanto o procurador, vão disputar cargos eletivos um para o senado e o outro para o governo de Mato Grosso. Não acreditamos que nem um nem outro se metam em tamanha aventura. Deixar de ser o que são para tentar ser o que supostamente nunca conseguiriam ser, é de fato um risco que não acreditamos que desejem correr, se imaginarem amados pelo povo por terem supostamente desmantelado o que se convencionou chamar de crime organizado em Mato Grosso, podemos supor que o povo na sua maioria ainda não conseguiu absorver a tese de que o jogo do bicho acabou, até porque não é raro ver noticias de que aqui e ali, a policia estourou essa ou aquela banca de apostas funcionando a pleno vapor. Por todos esses elementares motivos é possível supor que tanto o juiz quanto o Procurador, se realmente entenderem que vão partir para a disputa de um cargo na área política, podem ser surpreendidos com um solene não do eleitorado. Mas por outro lado não custa tentar descobrir se na política terá tanto sucesso quanto mandando gente pra cadeia.
Quanto ao senhor Luiz Antonio Pagot, atualmente diretor geral do DIONIT, tido aqui na província como o “trator” da administração do governo Maggi, já se sabe que o referido senhor foi um grande gerador de problemas por todos os cargos em que já passou. Homem circunspecto, carrancudo e de pouca conversa, um cidadão de gestos calculado, de semblante sério e temido, pois do alto dos relevantes cargos que já ocupou no governo de Mato Grosso, presumivelmente não deixou saudades nem mesmo entre os seus mais próximos auxiliares. Com essa bela ficha técnica esse cidadão já teve seu nome alinhavado entre os candidatos a substituir o atual governador Blairo Maggi, mas isso só poderia acontecer se o cargo de governador por indicação do Presidente da República sob o regime discricionário. Mais os tempos da ditadura militar estão no passado e na atualidade governador precisa ser eleito no voto soberano do povo. A pergunta é a seguinte: O senhor Pagot conseguiria esboçar um sorriso para o eleitor? Conseguiria tomar uma cachaça com o povão num botequim de ponta de rua? Provavelmente não. Sendo assim fica difícil imaginar um reduto eleitoral onde pudesse conseguir os milhares de votos necessários para se eleger governador. Seja como for, seria bom que ele tentasse sair candidato para medir seu prestigio junto o povo.